Os 40 anos da Monkeemania
Por Sergio Farias

Em julho de 1966, os ainda desconhecidos Monkees estavam em um concerto dos Rolling Stones em Los Angeles. A platéia estava enlouquecida e eles ouviram de seu criador, o produtor Bert Schneider: “Em seis meses essa platéia estará enlouquecida por vocês”. A profecia foi realizada e os Monkees, em 1967, chegaram a vender mais discos que os Beatles e os Stones juntos! Criticados por alguns como sendo um grupo manufaturado, anos depois, seus sucessos foram regravados dos roqueiros punk do Sex Pistols aos rappers do Rum DMC, comprovando sua influência na música pop.
O Anúncio
Desde 1964, com o estrondoso sucesso dos Beatles junto a “invasão inglesa” (Rolling Stones, Herman´s Hermits, Animals etc.) a indústria do entretenimento americana vinha tentando desesperadamente encontrar algo que captasse a essência do gosto da juventude. Até que, em abril de 1965, os jovens produtores Bert Schneider e Bob Rafelson fundaram a produtora independente Raybert, quebrando a tradição dos velhos estúdios e conseguiram levantar 225 mil dólares com a Screen Gems, subsidiária da Columbia Pictures, para uma série de TV sobre um grupo de rock´n´roll.
O ambicioso projeto que reuniu duas gigantes das comunicações nos Estados Unidos como a Columbia e a RCA Victor, demorou a encontrar sua forma final. Martin Scorsese foi chamado para dirigir alguns episódios, mas ele não gostava da linguagem televisiva. A princípio, a Raybert tentou contratar o Lovin´ Spoonful, mas o grupo, em seguida, obteve um grande sucesso, e trilhou sua própria jornada. Foram, então, pensados em vários nomes para esse futuro grupo como The Creeps e The Inevitables até chegarem a um trocadilho, em moda na época, com a palavra monkey (macaco): The Monkees.
Logo, 437 jovens, incluindo os futuros astros Stephen Stills e Paul Williams responderam a um anúncio, publicado nos jornais Daily Variety e The Hollywood Reporter, em oito de setembro de 1965, recrutando quatro músicos, entre 17 e 21 anos, para tocar e atuar em uma nova série de TV.
Os Monkees
Após dois meses de testes, foram selecionados os quatros jovens. O primeiro foi o jockey inglês Davy Jones (David Thomas Jones. Manchester, 30/12/1945), que além de sua paixão por cavalos, ele, desde os onze anos, atuava em companhias de teatro, rádio e novelas na BBC-TV. Após a morte de sua mãe, em 1962, Davy deixou seu pai, um trabalhador do ramo ferroviário e suas irmãs, na Inglaterra e foi para Nova York, atuar na temporada do musical “Oliver”, o que lhe rendeu uma indicação ao prêmio Tony como “Melhor Ator Coadjuvante de Teatro (categoria musical)”. Está nominação ao Tony fez com que Davy assinasse um contrato em Hollywood para gravação de um álbum solo, em 1965, que teve um pequeno êxito com o single “What Are We Going To Do?”. Simpático e vaidoso na vida real, para a série “The Monkees” Davy ficou como galã e vocalista (eventualmente ele tocava maracás).
O cômico Micky Dolenz (George Michael Dolenz. Los Angeles - Califórnia, 08/03/1945), nasceu no coração da comunidade cinematográfica americana, seu pai foi o ator George Dolenz (1908-1963), que ganhou notoriedade com a série “O Conde de Monte Cristo”. Micky, em 1956, foi o.ator mirim da série “Circus Boy”, na ABC-TV. No início dos anos 60, Micky fez parte de alguns grupos de rock´n´roll, como cantor e guitarrista enquanto atuava em séries de TV como “Peyton Place” (“A Caldeira do Diabo”). Com sua personalidade generosa e engraçada, Micky vinha fazendo vários testes para atuar em seriados, até ser escalado para ser o baterista dos Monkees, a contra gosto, já que ele também cantava.
Além dos atores, foram escalados músicos profissionais. Peter Tork (Peter Halsen Thorkelson. Washington DC, 13/02/1942), na infância, morou em vários paises como Alemanha e Venezuela, acompanhando o pai que era professor PhD em Economia. Aos quatorze anos começou a tocar ukele e banjo. Em 1963, Peter foi à Nova York, onde passou a tocar freqüentemente nos bares e cafés da cidade, tendo como colega o ainda desconhecido guitarrista porto-riquenho Jose Feliciano e membros dos Mamas and The Papas e Lovin´Spoonful. Durante o ano de 1964, Peter passou sete meses em turnê, tocando com o grupo The Phoenix Singers. Boêmio, politizado e com gosto por aventuras Peter foi de carona, no verão de 1965, para Los Angeles, onde formou o grupo Buffalo Fish, com Stephen Stills Apesar de não ter formação como ator, para série de TV, Peter foi o que teve mais trabalho. Ele que falava vários idiomas e crescera em um lar intelectualizado, teve que representar o papel de “o bobo do grupo”. Musicalmente, Peter assumiu nos Monkees o baixo elétrico e os teclados.
Outro musico profissional escolhido foi Michael Nesmith (Robert Michael Nesmith. Houston - Texas, 30/12/1942). Michael teve uma infância pobre, sua mãe Bette Nesmith, se divorciou do seu marido, que foi convocado para a Segunda Guerra Mundial. Para sustentar a família, Bette passou a trabalhar como secretária e desenvolveu uma fórmula para corrigir seus erros datilográficos, chamada depois de Liquid Papper. Michael na adolescência passou a se interessar pelo rock´n´roll e principalmente pelos músicos negros como Bo Diddley. Em 1964, após servir na Força Aérea, Michael se casou com Phyllis Barbour. Com o nascimento do primeiro filho do casal, eles se mudaram para Los Angeles. Michael uma pessoa seca e ao mesmo tempo com um apurado senso de humor junto a seu inseparável gorro de lã, passou a fazer apresentações no circuito universitário e lançou o compacto “Well Well”, iniciando sua carreira como compositor. Quando passou no teste para os Monkees, ele permaneceu como guitarrista e na série interpretaria o líder do grupo.
Don Kirshner
Em novembro de 1965, o grupo gravou o piloto da série, que foi vendida para a NBC-TV em janeiro de 1966. Com a exibição garantida e os Monkees contratados pela Screen Gems por seis anos, a Raybert sofisticou a produção da série e criou o Monkeemobile, um modelo Pontiac GTO projetado pelo designer Dean Jeffries, que também havia ajudado a criar o Batmovel, na serie “Batman”, um dos grandes sucessos da TV na época. Também foi chamado o maestro Stu Phillips (que já havia atuado com Nina Simone) para compor as musicas incidentais na serie.
Enquanto filmavam os outros episódios nas mesmas locações onde foi filmada a série “Os Três Patetas” nos anos 40, os Monkees ensaiavam como uma banda. Mas por não serem uma unidade musical, logo começaram as divergências: Michael vinha fazendo canções de protesto, Davy iniciou-se nas peças de teatro musicais, Peter era um músico de folk-rock e Micky mais próximo do rock´n´roll e da soul music. Mas o prazo para estréia da série estava próximo.
Com o tempo se esgotando, o presidente da divisão musical da Screen Gems, Don Kirshner assumiu a supervisão musical dos Monkees. Don Kirshner tinha 33 anos e uma vasta experiência no cenário musical como produtor e empresário. Conhecido como “o homem do ouvido de ouro”, Don Kirshner impulsionou a carreira do cantor Bob Darin e fundou a gravadora Chairman que emplacou um sucesso nacional para o grupo The Run-Dells. Ele também era proprietário da editora musical Aldon, que se notabilizou como “o som da Brill Building”, nome do prédio onde ficava seu escritório no 1650 Broadway, em Nova York.
Com a tarefa de impulsionar a carreira dos Monkees, Don Kirshner montou um repertório para o grupo com seu brilhante catálogo de compositores, que incluía as duplas Tommy Boyce e Bobby Hart, Carole King e Garry Goffin, Barry Mann e Cynthia Weil, além de Neil Sedaka, Neil Diamond, David Gates (futuro Bread) e Carole Bayer Seeger. Para acompanhar os Monkees, Don Kirshner contratou os melhores músicos de Los Angeles como Hal Blaine, James Burton, Glen Campbell, Hugh McCracken, Billy Preston e Larry Knechtel (futuro Bread). Para produzir as gravações foi sondado Mickie Most, famoso produtor britânico, que estava ocupado com o grupo Herman´s Hermits. Foi chamado então Sunff Garrett que havia trabalhado com o Gary Lewis and The Playboys. Mas Snuff Garrett, não agradou a Don Kirshner e logo a produção ficou por conta da própria dupla Tommy Boyce e Bobby Hart e do compositor Jack Keller, com a engenharia de som de Hank Cicalo.
Os Monkees protestaram por apenas cantarem nos discos e não escolherem seu próprio repertorio. Como uma oferenda de paz, Don Kirshner permitiu que Michael colocasse algumas de suas composições e as produzisse. Embora Peter fosse um multi-instrumentista com formação clássica, ele só tocou guitarra em apenas três das 50 faixas gravadas naquelas sessões nos estúdios da RCA, em Hollywood. O material gravado revelou a versatilidade do grupo desde a interpretação de Davy para a balada “I Wanna Be Free”, acompanhado de uma orquestra até a bem humorada “Your Auntie Grizelda”, cantada por Peter. Michael cantou suas próprias composições que foram desde o country “Papas Gene´s Blues” até a roqueira “Sweet Young Thing” e Micky, aproveitando de suas habilidades vocais como ator, deu vigor a dançante “(I´m Not Your) Steppin´Stone”
A Série
A gravadora Colgems, uma joint venture entre a Columbia, a Screen Gems e a RCA, lançou o single “Last Train To Clarksville” em dezesseis de agosto, que foi ao primeiro lugar nas paradas de sucesso. Enquanto “Last Train To Clarksville” (do álbum “The Monkees”) subia nas paradas, os Monkees estavam entre as 45 mil pessoas que assistiam ao concerto dos Beatles no Dodger Stadium, em Los Angeles, onde havia cartazes publicitários com os dizeres “Os Monkees Estão Chegando!” Em seguida o grupo fez uma curta turnê por quatro grandes cidades para promover o disco e a série de TV, que estreou numa segunda feira, às dezenove horas e trinta minutos do dia doze de setembro de 1966.
A série “The Monkees” começou com o episódio “Royal Flush” (dirigido por James Frawley), o primeiro dos 32 da primeira temporada, que durou até abril de 1967. O seriado surpreendeu a todos por não haver uma figura paterna ou materna em cena, pois os quatro interpretavam músicos de uma banda de rock´n´roll a procura de emprego e que dividiam uma casa de praia na Califórnia. A série “The Monkees” se tratava de uma comédia irreverente inspirada no filme dos Beatles “A Hard Days Night” (“Os Reis do Ié, Ié Ié”). Com Paul Mazursky e Dee Caruso (“Agente 86”) entre os roteiristas, o seriado usava técnicas raras na TV da época, como a quebra da quarta parede, muitos improvisos, cenas de bastidores, entrevistas ao final dos episódios, cortes rápidos e os inovadores videoclipes musicais (que inspiraria a MTV nos anos 80).
O primeiro álbum “The Monkees” foi lançado em dois de outubro de 1966. O álbum abre com a canção tema do seriado “(Theme From) The Monkees” se mantém numa melodiosa linha pop rock, com “Saturday´s Child”, “Take A Giant Step” e “This Just Doesn´t Seen To Be My Day”. A faixa “Gonna Buy Me A Dog” aponta uma linha de humor que sempre acompanhara o grupo em seus concertos. “The Monkees” ficou 13 semanas no primeiro lugar e vendeu três milhões de cópias em apenas 90 dias! O próximo single dos Monkees, já tinha um milhão de pedidos antecipados sem nunca haver tocado nas rádios ou TV. Com um sucesso inicial surpreendente, o grupo começou uma turnê americana pelo Havaí em três de dezembro, provocando uma grande histeria pelas treze cidades por onde passou. A Monkeemania havia começado.
Monkeemania
Após um concerto em Ohio, os Monkees voaram para outra data em Nashville, e lá foram convidados para uma festa de reveillon oferecida pela cantora Brenda Lee. A turnê foi um grande sucesso. O penúltimo concerto da temporada, em Phoenix foi filmado e convertido no episódio “The Monkees On Tour”, último da primeira temporada da série.
O segundo single “I´m a Believer” (do álbum “More of The Monkees”), lançado em dezembro de 1966, ficou dois meses em primeiro lugar e com dez milhões de cópias vendidas nos cinco continentes. “I´m a Believer” deu a dimensão global do sucesso dos Monkees, indo aos primeiros lugares também no Canadá, México, Brasil, Inglaterra, Bélgica, Dinamarca, Noruega, Holanda, Alemanha, Itália, África do Sul, Japão, Singapura, Filipinas, Austrália e Nova Zelândia.
A essa altura, os Monkees já recebiam 80 mil cartas de fãs por semana. O sucesso deles foi tão avassalador que, a loja de departamentos JC Penney vendeu cinco milhões de peças de roupas para rapazes inspiradas no figurino que os Monkees usavam no seriado. A revista mensal sobre o grupo “Monkees Monthly” chegou a vender 200 mil exemplares de seu primeiro número na Inglaterra. Aproveitando também a onda da Monkeemania, as orquestras Golden Gate Strings e Manhattan Strings lançaram álbuns com versões instrumentais de suas canções. Além de artistas de outras gerações como Sammy Davis Jr. e Del Shannon demonstrarem admiração pelos Monkees.
O impacto instantâneo dos Monkees fez com que o músico inglês David Jones, ao gravar seu primeiro álbum, mudasse seu nome para David Bowie, a fim de evitar confusões com o nome do maior teen idol da época. Inclusive, bastaram os rumores de que Davy poderia ser convocado pelas forças armadas para servir na Guerra do Vietman, para que suas fãs saíssem em passeata com faixas: “Se Davy for nós vamos também!”
As gravações solo do período pré- Monkee como “Don´t Do It”, de Micky e a versão de Davy para “It Ain´t Me Babe” de Bob Dylan foram comercializadas mundialmente.
A Colgems lançou o segundo álbum “More Of The Monkees”, em janeiro de 1967, enquanto o álbum anterior, “The Monkees”, ainda estava em primeiro lugar. “More Of The Monkees” foi o álbum de maior apelo comercial do grupo. A canção “Mary Mary”, um rock´n´roll tradicional, foi menoria no álbum dominado por baladas românticas como “She”, “When Love Comes Knocin´(At Your Door)” e “Sometime In The Morning”. Na sua segunda semana de lançamento, “More Of The Monkees” foi ao primeiro posto nas paradas e lá permaneceu por 18 semanas e vendeu mais de cinco milhões de cópias. Apesar de todo esse sucesso, o grupo se mostrou desapontado por não ter sido consultado quanto ao lançamento de “More Of The Monkees”. Os Monkees estavam incomodados com os constantes questionamentos da imprensa, durante a turnê, de que eles não tocavam seus instrumentos musicais. O lançamento de um álbum sem o consentimento do próprio grupo só agravou os problemas.
No final de janeiro, Don Kirshner, acompanhado de seus familiares, executivos da Screen Gems, repórteres e fotógrafos estavam em uma cerimônia no Bervelly Hills Hotel, onde seriam entregues aos Monkees seus discos de ouro e cheques no valor de duzentos e cinqüenta mil dólares para cada um, referente ao royalties do primeiro álbum. Aproveitando a ocasião, Don Kirshner entregou aos Monkees, o acetato com a base da canção “Sugar Sugar”, para ser o próximo single, apenas necessitava eles colocarem suas vozes. Michael e Peter não aceitaram e reivindicaram autonomia musical. Os representantes da gravadora afirmaram que eles estavam sob contrato e com isso não poderiam se recusar a gravar. Instalou-se uma acalorada e violenta discussão que terminou sem acordo. No dia seguinte, os Monkees chamaram a imprensa e disseram que a Colgems não estava permitindo que eles tocassem seus instrumentos nos discos. Preocupada com um possível escândalo, a Screen Gems convocou uma reunião de emergência, que autorizou os Monkees a terem um parcial controle artístico do próximo disco. Eles convidaram Chip Douglas, que vinha fazendo arranjos para o grupo Turtles, para produzi-los No dia 23 de janeiro no estúdio A da RCA Victor, em Hollywood, os Monkees iniciaram os ensaios.
Uma Viagem Inspiradora
No entanto, no início de fevereiro de 1967, os Monkees poderam tirar as tão merecidas férias. Peter foi para Nova York onde reencontrou seus antigos colegas. Davy rumou para as Bahamas, Jamaica e depois para sua natal Inglaterra. Lá badalou nas boates londrinas com Mick Jagger, Brain Jones e Sonny & Cher, mas depois foi para o interior rever familiares e amigos. Micky e Michael uniram o útil ao agradável, quando combinaram as férias com eventos promocionais dos Monkees, em Londres. Pois na Inglaterra os dois álbuns dos Monkees também estavam no topo das paradas e o single “I´m A Beliver”, segundo o jornal Weekly Variety, estava vendendo tanto que poderia alcançar a marca de um milhão de discos. A série de TV “The Monkees”, que estréiou na BBC TV, em 30 de dezembro, estava alcançando a enorme audiência de cinco milhões de telespectadores britânicos.
No dia seis de fevereiro, Micky foi recebido por 300 fãs no aeroporto de Londres. De lá cumpriu seu primeiro compromisso chamado “Um Beatle Encontra Um Monkee”, que se deu na casa de Paul McCartney. Além de conversarem muito, e segundo Micky, fumarem maconha, Paul McCartney tocou para Micky as inéditas canções dos Beatles “Penny Lane” e “Strawberry Fields Forever”, além de exibir filmes com apresentações do grupo Cream. Paul McCartney convidou Micky para assistir as gravações de “Fixing A Hole” do próximo álbum dos Beatles “Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band”
Michael foi para Londres com sua esposa, no dia seguinte, no mesmo vôo com Mama Cass, do The Mamas and The Papas. Michael se aproximou mais de John Lennon, que convidou o casal Nesmith para jantar em sua casa. Michael também compareceu aos estúdios da EMI, em Abbey Road, onde os Beatles estavam gravando a canção “A Day In The Life”. Na gravação, que também estava sendo filmada, junto a uma orquestra de 40 componentes estavam também presentes Mick Jagger, Keith Richards, Marianne Faithful, Donovan entre outros.
Micky e Michael se juntaram no programa de TV da BBC “Top Of The Pops” para receber um disco de prata pelas vendas de 250.000 cópias de “I´m A Believer”. Os dois Monkees também participaram de festas com Cat Stevens, Sandie Shaw, Cliff Richard, visitaram os Kinks, durante uma sessão de gravação nos estúdios da gravadora Pye e conferiram um show do Spencer Davis Group no Marquee.
Micky ainda foi a Suécia e a Noruega , onde tirou fotos promocionais e participou de programas de rádio.
Headquarters
Ao voltarem ao trabalho, após as diversas experiências musicais que tiveram durante as férias, os Monkees começaram a gravação do próximo disco reivindicando ainda mais autonomia. Peter trouxe seu velho amigo Stephen Stills para tocar e Michael seu colega de longa data John London para compor. Os Monkees também exigiram tocar seus instrumentos nas gravações e ter um número maior de composições próprias. Para Don Kirshner, que vinha emplacando sucesso atrás de sucesso com os Monkees, aquilo foi uma afronta pessoal e ele, mais uma vez aproveitando as muitas músicas já gravadas naquelas sessões, em 1966, lançou, igualmente sem o conhecimento dos Monkees, o terceiro single “A Little Bit You, A Little Bit Me”. O compacto vendeu imediatamente mais de dois milhões de cópias, mas não impediu que Don Kirshner fosse demitido, em 27 de fevereiro de 1967.
No dia dois de março, os Monkees estavam sendo indicados para o Grammy pelo single “Last Train To Clarksville”. Davy foi convidado para apresentar os principais prêmios da cerimônia como “Gravação do Ano” e “Canção do Ano”. Apesar de sair com as mãos vazias da cerimônia do Grammy, naquela noite começaram as gravações do álbum “Headquarters”. A primeira música a ser gravada foi “Randy Scouse Git”, uma canção de Micky que descrevia sua visita aos Beatles e sobre sua nova namorada, Samantha Juste, apresentadora do Top Of The Pops.
A aposta dos Monkees em tirar Don Kirshner da coordenação musical foi arriscada. Em março de 1967, apenas oito meses após o lançamento do primeiro compacto, os Monkees ganharam os três principais prêmios NARM (National Association of Records Merchandisers), pelas vendas astronômicas de seus discos. O NARM estava, há três anos consecutivos, sendo entregue aos Beatles
Mas liberdade musical era tudo que eles queriam. Os Monkees então seguiram trabalhando duro entre as filmagens do seriado, uma mini turnê em cinco cidades dos Estados Unidos e Canadá (com shows abertos pelo 5th Dimension e Ike & Tina Turner. O show em San Jose foi cancelado, em virtude da remoção das amígdalas de Michael), comerciais na TV (cereais Kellogs, perfumes Yardley e guitarras e baterias Gretsch) e o controle total das gravações do álbum “Headquarters”.
Lançado em maio, “Headquarters” também foi ao primeiro lugar e recebeu elogios do jornal The Los Angeles Times. O álbum revelou o grupo no topo de sua criatividade. Com as constantes comparações dos Monkees com os Beatles, o álbum “Headquarters” abriu com a faixa “You Told Me” de Michael, onde eles fazem uma introdução satirizando “Taxman” dos Beatles. “Headquarters” trouxe composições conjuntas de vinhetas interligando as canções como “Zilch” e “Band 6” até composições de Peter (“For Pete´s Sake” que passou a ser o tema de encerramento da série) e Michael (“Sunny Girlfriend”). As interpretações também variam de um rock´n´roll, ao estilo dos anos 50, em “No Time” com Micky, até a romântica “Forget That Girl” cantada por Davy. O álbum é todo tocado pelos próprios Monkees com apenas dois convidados como Vince de Rosa nos metais e Fred Seykora no cello. “Headquarters” não tirou nenhum single nos Estados Unidos, já na Europa, o compacto com a canção “Randy Scouse Git” fez muito sucesso. Como “Randy Scouse Git” significava uma gíria inglesa de conotação sexual, o título foi alterado para “Alternate Tittle”
Um dos grandes acontecimentos no cenário da musica pop em 1967, foi o festival “Monterey Pop”, idealizado por John Phillips dos Mamas and The Papas. Mesmo os Monkees não terem sido convidados para tocar no evento nobre do “verão do amor”, Peter foi o mestre de cerimônia para os shows com Lou Rawls e o grupo Buffalo Springfield. Micky e Peter também viram os concertos de Jimi Henrix, Janis Joplin e Ravi Shankar.
Em seguida eles começaram uma grande turnê pela Europa. Ao chegarem em Paris, eles filmaram o episódio “Monkees in Paris”, para a segunda temporada do seriado. Em Londres, o grupo fez cinco concertos, abertos pela cantora Lulu, no Empire Pool Wembley (onde protestaram contra a prisão de Mick Jagger e Keith Richards por posse de drogas). Na capital inglesa, a Monkeemania reviveu os anos iniciais da Beatlemania. O alvoroço criado pelas fãs diante do hotel em que os Monkees estavam hospedados foi tão grande, que a Princesa Margareth, que morava na vizinhança, pediu lhes que se mudassem dali. Não obstante a confusão, os Monkees ganharam uma festa oferecida pelos Beatles, na boate Speakeasy, que também contou com a presença do Brain Epstein, The Who, Eric Clapton, Dusty Springfield, Procol Harun, entre outras celebridades do pop inglês.
Após o Velho Mundo, os Monkees e sua entourage da qual constava Jan Berry (da dupla Jan & Dean) David Crosby e Peter Fonda, começaram outra excursão por vinte e cinco cidades nos Estados Unidos, com os sete primeiros concertos abertos por ninguém menos que Jimi Hendrix, que abandonou a turnê por não agradar os muitos fãs pré-adolescentes da banda. O resto da turnê teve os shows abertos pela cantora australiana Lynne Randell. Alguns concertos dessa turnê foram gravados por uma equipe móvel da RCA, com o objetivo de lançar um álbum ao vivo. Porém, em virtude da enorme histeria dos fãs, as gravações ficaram comprometidas (tais gravações só seriam lançadas comercialmente vinte anos depois com o usos dos recursos tecnológicos adequados)
Ao passarem por Memphis, os Monkees viveram momentos memoráveis. Eles visitaram o famoso estúdio Stax, durante uma sessão de gravação do grupo Booker T & The MGs (hoje há uma placa no museu do estúdio registrando a visita dos Monkees).Ao saírem da Stax, os Monkees declinaram do convite para visitar Graceland, a mansão de Elvis Presley, pois o “Rei” estava na Califórnia trabalhando em seu novo filme “Speedway” (“O Bacana do Volante”).
Junto ao lançamento do compacto “Pleasant Valley Sunday”/ “Words” (ambas do álbum “Pisces, Aquarius, Capricorn & Jones Ltd”), em setembro, começou a segunda temporada da série “The Monkees” com 26 episódios até março de 1968. A série “The Monkees” estava sendo exibida em 33 paises e segundo a Screen Gems ela era sua série de maior repercussão mundial de todos os tempos. O programa, que Steven Speilberg tentou dirigir, trouxe mudanças na segunda temporada, desde o penteado afro de Micky, até os convidados especiais como Liberace, Frank Zappa, George Smalls e Tim Buckley, além de Peter e Micky na direção dos episódios “The Monkees Mind Their Manor” e “Mijacogeo”, respectivamente.
A nova temporada da série extrapolou os limites da comédia, com o episódio “The Devil and Peter Tork” (indicado ao Emmy, em 1968), uma crítica bem humorada ao show business, escrito pelo roteirista, já indicado ao Oscar, Robert Kaufman. Outro prestigiado escritor Stanley Ralph Ross, que vinha escrevendo para a série “Batman”, também participou desta temporada.
Em novembro de 1967 foi lançado o álbum “Pisces, Aquarius, Capricorn & Jones Ltd” (o título é uma referencia aos signos dos Monkees), muito variado musicalmente. O disco apresentou músicas como “Salesman”, com uma estrutura funk bem construída por um baixo elétrico, a canção causou controvérsias por sua letra conter referencias as drogas. O tom foi amenizado pela bossa novista “Hard To Believe” e o country-rock “What Am I Doing Hangin´Round?” Na psicodélica “Daily Nightly” foi usado pela primeira vez no rock um sintetizador Moog. O disco apontou os primórdios do rock progressivo com “Star Collector” e musicas pop sofisticadas como “Love Is Only Sleeping” e “Cluddly Toy” Sob a produção de Chip Douglas, “Pisces, Aquarius, Capricorn & Jones Ltd.” foi também todo tocado pelos Monkees mas com convidados especiais como Harry Nilsson, Bill Chadwich, e o conceituado arranjador Shorty Rogers. “Pisces, Aquarius , Capricorn and Jones Ltd” foi mais um number one, que se repetiu, também, no single natalino “Daydream Believer”, o compacto mais vendido do ano, nos Estados Unidos.
Os Monkees tiveram um ano fantástico em 1967, com quatro indicações ao Grammy, dois prêmios Emmy para a série de TV (que mantinha uma média de 11 milhões de telespectadores nos Estados Unidos), 35 milhões de discos vendidos e, segundo a revista New Musical Express, o grupo arrecadou, em menos de um ano, mais de 180 milhões de dólares com seus produtos. Suas músicas lideraram a execução nas rádios americanas no ano, arrecadando mais de cinco milhões de dólares em direitos autorais. Comentava-se na época que se os Monkees interpretassem “Parabéns Para Você” com uma batida de rock´n´roll o disco venderia rapidamente um milhão de cópias.
Head
As notórias diferenças musicas entre os Monkees, também se revelaram em seus estilos de vida. Michael, um seguidor da Igreja de Cientologia, também se mostrou um homem excêntrico. Ele adquiriu uma mansão palaciana em Bel Air, que pertenceu a atriz Doris Day, que ele batizou de “Arnold”. Ao gastar uma fortuna para equipar “Arnold”, com o que existia de mais moderno em tecnologia na época (diziam que as portas da casa se abriam ao pronunciar a palavra “love”), além de colocar sete carros na garagem, várias motocicletas e um iate, Michael dizia estar gastando o “dinheiro sujo” vindo dos royalties dos Monkees. Michael também causou espanto quando assumiu a paternidade do filho que teve fora de seu casamento com a fotografa Nurit Wilde.
Davy chegou a abrir sua casa em Bervelly Hills para felicidade dos fotógrafos das revistas pop. Apesar de sua discrição britânica, a imprensa noticiava fartamente os galanteios de Davy pela atriz Sally Field, que na época interpretava a série de TV “A Noviça Voadora”, a reporter Sharen Reeves e a cantora Lulu, o que quase gerou uma “crise diplomática” com os Bee Gees, pois Lulu era esposa de Maurice Gibb. Para não atrapalhar sua imagem de ídolo adolescente, Davy se casou secretamente com Linda Haines, em Tijuana, na fronteira com o México Ele também investiu seu dinheiro em uma boutique em Nova York chamada Zilch, onde era vendida uma linha exclusiva de roupas “assinadas” por ele.
Micky fez de sua casa em Laurel Canyon, um constante salão de festas freqüentado pelas maiores estrelas da época. Muitas dessas festas terminavam em jam sessions no seu estúdio particular com Steve Winwood, Brain Wilson entre outros. Micky também fez extravagâncias ao desfilar pelas ruas de Hollywood com seu Rolls Royce conversível, modelo 1928 e um Bentley modelo 1929, ambos comprados em Londres. Para sua sorte sua mãe passou a administrar seu dinheiro com mais austeridade. Micky se casou com Samantha Juste e abriu para ela a boutique One Of A Kind em Hollywood. Ele tinha como hobby o cinema, e filmou o Grand Prix do México, em 1967 e o aniversário de Mama Cass.
Peter morava numa mansão de quatorze quartos que pertenceu ao comediante Wally Cox. Mesmo assim era a menor se comparada a dos outros Monkees. Entretanto a propriedade, localizada em Studio City, próxima a casa californiana de Elvis Presley, era freqüentada pelos maiores nomes da comunidade do rock´n´roll. A casa foi palco de saraús com Jim Morrison, Jimi Hendrix, Ringo Starr, George Harrison, Pete Townsend, John Sebastian, o grupo The Who e marcou a história da música pop com o primeiro encontro musical de (David) Crosby, (Stephen) Stills e (Graham) Nash. Também com fama de namorador, Peter se envolveu com Leah Cohen, irmã de Mama Cass e a groopie Karen Harvey Hammer, a quem dedicou sua canção “Lady´s Baby”.
Após o intenso ano de 1967, os Monkees tiraram férias no final de dezembro, em meio as indefinições sobre uma terceira temporada da série para TV, um longa-metragem para o cinema e uma grande turnê americana de verão de 1968. Michael se recolheu em sua casa na expectativa do nascimento de seu segundo filho com Phyllis. Micky foi apresentar Samantha para seus familiares na festas de fim de ano em Saratoga, na Califórnia. Davy viajou para França e Suíça e depois reencontrou seus familiares e amigos em Machester. Quando chegou em Londres, onde também estava Peter, os dois se encontraram com Jimi Hendrix, Jeff Beck, e Eric Burdon, e assistiram com os Beatles uma sessão privada do filme “Magical Mystery Tour”. Ao voltarem para o trabalho, em janeiro de 1968, ao contrario do ano anterior, as férias não foram inspiradoras para o trabalho em conjunto.
No inicio de 1968, o grupo estava fragmentado. Peter junto aos grupos Blue Cheer, Steppenwolf e Nina Simone tocaram para uma platéia de sete mil pessoas no Los Angeles Arena Sports em um evento contrario a Guerra do Vietnam. Michael estava trabalhando no seu primeiro álbum solo. Davy, sempre muito requisitado para aparições na TV, foi convidado, pela segunda vez consecutiva, como mestre de cerimônia do Grammy Awards e cometeu uma gafe enquanto apresentava a lista dos artistas que concorriam na categoria “Melhor Álbum Narrado”, cujo um dos indicados era o conservador Victor Lundberg com seu álbum “An Open Letter To My Teenage Son”. Davy disparou: “Espero que esse não ganhe.”. Micky empolgado com o namoro Samantha estava passando uma temporada no Havaí.
Para os primeiros cinco meses de 1968, estava agendada a produção do primeiro longa-metragem dos Monkees com orçamento de 800.000 dólares pela Columbia Pictures. O filme, a principio, se chamou “Changes”, depois “Untittled” e finalmente “Head”. O roteiro de “Head” foi escrito pelos Monkees, Bert Schneider, Bob Rafelson e pelo ator Jack Nicholson, em um hotel em Ojai, na Califórnia, em novembro de 1967. Na ocasião todos estavam auxiliados, segundo Davy, por “dois quilos de uma nativa erva havaiana”. Não por acaso, “Head” é uma gíria americana para usuário de maconha. Dirigido por Bob Rafelson, o filme de humor anárquico e crítico a Guerra do Vietnam, trouxe uma constelação de astros com pequenas participações: os atores Victor Mature, Terri Garr e Annette Funicello; a coreógrafa Toni Basil, o campeão de boxe Sonny Liston e o músico Frank Zappa.
O início das filmagens de “Head” (“Os Monkees Estão Soltos”) foi conturbado, pois os Monkees não chegaram a um acordo financeiro sobre o salário deles no filme o que chegou a gerar uma greve do grupo, só resolvida quando cada um contratou seu próprio agente para formular contratos individuais. As filmagens começaram efetivamente em dezesseis de fevereiro e terminaram em dezessete de maio num concerto gratuito feito especialmente para as filmagens de “Head”, promovido pela estação de rádio KCPX, em Salt Lake City (único show ao vivo do grupo nos Estados Unidos, em 1968)
Enquanto estavam filmando “Head”, Davy, Peter, Micky e Michael, separadamente, produziram uma extensa série de gravações que tiveram as participações de Leon Russell, Ry Cooder, Neil Young, Lowel George e Bones Howe. Os primeiros frutos destas gravações foram o single “Valleri”, lançado em março que foi o sexto compacto de ouro consecutivo do grupo na América. O single foi extraído do álbum “The Birds, The Bees and The Monkees” (lançado em abril de 1968), o primeiro álbum a ter a produção assinada pelos próprios Monkees, mas que realmente não teve uma concepção conjunta. O disco tinha desde a experimental “Writing Wrongs”, passando por “I´ll Be Back Upon My Feet” e “Tapioca Tundra” (que hoje poderiam ser chamadas de world music) até a ingênua “The Poster”. “The Birds, The Bee and The Monkees” vendeu “apenas” um milhão de cópias.
Com o cancelamento da série de TV, do fim das vendas multi-platinadas, e da não realização de uma turnê americana, os boatos sobre a separação do grupo foram reforçados quando Michael, que já havia composto o hit “Different Drum” para Linda Ronstadt and The Stone Poneys, lançou seu extravagante álbum instrumental “The Wichita Train Whistle Sings”. Peter, involuntariamente, também colaborou com os tablóides de fofoca quando participou, em Londres, das sessões de gravação da trilha sonora do Beatle George Harrison para o filme “Wonderwall”.
Mas a “máquina monkeeana” prosseguiu. Em junho os Monkees lançaram o single “D.W. Washburn”, junto a um videoclipe promocional. Mas pela primeira vez, eles não chegaram aos dez mais das paradas de sucesso americanas. Porém, no outro lado do mundo, eles continuavam a ser um sucesso fenomenal. A canção “It´s Nice To Be With You”, que nos Estados Unidos foi lado B do single “D.W. Washburn”, alcançou um grande sucesso na Ásia e Oceania.
Os Monkees embarcaram em catorze de setembro para uma lucrativa turnê pelo Oriente. Após sete concertos na Austrália, eles fizeram uma parada em Hong Kong, antes de seguirem para o Japão para mais cinco apresentações, uma delas transmitida pela rede japonesa de televisão TBS, a mesma que transmitia a serie lá. Após o último conserto no Festival Hall em Osaka, Davy não participou das festividades de encerramento da turnê e fretou um avião direto para Londres para ver sua recém-nascida filha.
Em novembro o longa-metragem “Head” estreou nos cinemas. Pelo seu psicodelismo e non sense foi considerado pela crítica como “Uma versão lisérgica de “A Hard Day´s Night'”. Sua campanha de divulgação também não foi menos exótica, com um anuncio utilizando a face estática do escritor John Brockman, considerado um guru da contra cultura na época, com uma voz robótica de fundo falando repedidas vezes: “Head!, Head!, Head!...”, sem nenhum referencia ao nome The Monkees Os Monkees fizeram aparições em quatro grandes cidades americanas para divulgar “Head”. Em sua estréia, “Head” contou com a presença de notórios como Andy Wahol, Peter Fonda, Dennis Hopper, Robert Redford, Sal Mineo, Hoyt Axton, Peter Lawford, o grupo The Byrds e Denny Doherty, dos Mamas and The Papas. Porém “Head” não atraiu muitos fãs as bilheterias (“Head” ganhou notoriedade a partir dos anos 70). O álbum com a trilha-sonora (produzido pelos Monkees e coordenado por Jack Nicholson) foi o trabalho mais vanguardista dos Monkees. O single “Porpoise Song”, uma majestosa balada psicodélica, puxou o álbum que contém rocks pesados como “Circle Sky” de Michael e “Long Title:Do I Have To Do This All Over Again” de Peter, além da satírica “Dirty Diego -War Chant”, que faz uma provocação sobre a imagem pré-fabricada do grupo. O disco contém extratos de diálogos do filme entre as músicas e fecha com um texto contendo referencias a filosofia chinesa do Tao Te Ching falado pelo ator oriental Swami Abraham Soafer, acompanhado por uma orquestra conduzida pelo maestro Ken Thorne
Para 1969, foi programado a primeira coletânea oficial do grupo “The Monkees Greatest Hits” e o especial para TV “33 1/3 Revolutions Per Monkee”, dirigido por Jack Good (diretor do famoso programa musical de TV “Shindig”). O programa foi uma concepção bem humorada da teoria da evolução de Chales Darwin e teve como convidados Brain Auger, Julie Driscoll, The Clara Ward Singers, Buddy Miles, Little Richard, Fats Domino e Jerry Lee Lewis. O especial para TV, foi um teste para o que poderia ser o formato para terceira temporada da série de TV. No entanto “33 1/3 Revolutions Per Monkee”, foi ao ar em quatorze de abril de 1969, pela rede NBC, competindo com a exibição da entrega do Oscar, transmitido pela ABC TV. Com a obvio e previsível baixa audiência do especial de TV, a terceira temporada foi cancelada. . A eclética trilha-sonora de “33 1/3 Revolutions Per Monkee” foi dirigida pelos Monkees. Seu repertorio tinha a crítica social de “Wind-Up Man”, a influencia indiana em “(I Prithee) Do Not Ask For Love”, o vaudeville “Goldie Locks Sometime” e o grand finale de “Listen To The Band”, em uma grande jam session dos Monkees com seus convidados e 120 hippies recrutados nas ruas de Hollywood. Apesar de sua grande diversidade musical, a trilha de “33 1/3 Revolutions Per Monkee” nunca foi editada em um álbum.
O que se pretendeu, na época, foi lançar um álbum duplo, que se chamaria “Monkees Present”, onde cada Monkee produziria um lado do disco com sua própria concepção musical. Mas Peter, insatisfeito musicalmente, largou os Monkees em seguida, mas oficialmente alegou exaustão. Após pagar uma multa de 160 mil dólares por quebra de contrato, ele formou o grupo Release, com sua esposa Reine Stewart. Apesar de muito ter se falado do Release na época, as negociações com Ahmet Ertegun, famoso presidente da Atlantic Records, para a gravação de um disco nunca se consumaram. Peter fez apenas alguns poucos shows e aparições na TV. Ele abriu a produtora The Breakthrough Influence Company e chegou a escrever uma canção para o filme “Easy Rider” (“Sem Destino”, também produzido pela Raybert), mas que também não chegou a ser gravada. Livre das pressões do mega estrelato, Peter e Reine viveram intensamente a filosofia flower power. O casal teve uma filha.
Mudanças
A saída de Peter deu inicio a um processo de desintegração dos Monkees, apesar deles finalmente terem conseguido um adendo no contrato do grupo, que finalmente concedeu-lhes uma total autonomia artística. Davy começou a fazer, cada vez mais, apresentações solo em vários programas de TV. Michael que a principio tentou assumir a direção musical do grupo com a saída de Peter, logo se frustrou e iniciou sua estratégia em se desligar dos Monkees. Cada vez mais separados e gravando individualmente, Davy, Micky e Michael apenas se juntavam para cumprir uma agenda de 30 concertos pelos Estados Unidos Canadá e México, realizados de março a dezembro de 1969. Acompanhados pelo grupo de rythym´n´blues Sam and The Good Times, eles tocaram em lugares com a metade dos assentos vazios e tendo alguns concertos cancelados pela baixa venda de ingressos.
Davy (que enfrentava a ira das fãs por terem descoberto que ele havia se casado secretamente), Michael e Micky ainda se apresentaram em alguns programas de TV, como o “Johnny Carson´s The Tonight Show” e o “The Johnny Cash Show”, para promover os álbuns lançados naquele ano.
O álbum “Instant Replay”, lançado em março de 1969, foi concebido em meio a crise gerada pela saída de Peter. Com isso o disco agregou uma série de gravações feitas desde 1966 que receberam uma nova roupagem. O álbum foi na maior parte produzido por cada um dos três Monkees, individualmente, e pela dupla Tommy Boyce e Bobby Hart, com destaque para “Through The Looking Glass”, “A Man Without A Dream” e “Teardrop City”, escolhida para ser o single.
Em outubro de 1969, o trio voltou ao antigo projeto “The Monkees Present”, mas em um álbum simples, A produção foi semelhante ao disco anterior e com a maioria das composições de autoria do grupo. “The Monkees Present Micky Davy and Michael” tirou os singles “Listen To The Band”/ “Someday Man” e “Good Clean Fun” e sofreu boicote de algumas rádios pela canção “Mommy and Daddy”, que tratava do massacre sofrido pelos índios americanos no século XIX.
Em ambos os álbuns e seus respectivos singles, as vendas despencaram assustadoramente. Davy que desde 1966 vinha sendo um rosto constante nas principais capas de revistas para adolescentes, em 1969 foi substituído pelo novo astro Bobby Sherman como manchete da revista “16”. Ironicamente Bobby Sherman começou atuando em um dos episódios do seriado “The Monkees”.
Após o concerto dos Monkees em Utah, em seis de dezembro de 1969, Michael fez seu último trabalho como Monkee no comercial do refesco Kool Aid. Para sair do grupo Michael foi obrigado a pagar uma multa no valor de 150 mil dólares.
Em fevereiro de 1970, os Monkees, reduzidos a dupla Davy e Micky foram gravar, sob a produção de Jeff Barry, o álbum “Changes”, nono e último disco de estúdio lançado pela Colgems. Cinco anos após a formação dos Monkees, a situação do grupo estava completamente diferente de seus anos de gloria. Os ganhos dos Monkees, que em 1967 chegaram a salvar a Screen Gems da falência, em 1970 não pagavam mais as limusines, jatos particulares e horas de estúdio. Para gravação do álbum “Changes”, a Screen Gems viabilizou apenas quatro sessões no estúdio da RCA, em Nova York, colocando Micky e Davy em vôos de classe econômica e pagando lhes uma diária de apenas 20 dólares para as despesas.
A indústria do disco, que antes comentava sobre o toque de mídas dos Monkees, naquele momento fazia comentários irônicos. Com as constantes defecções do grupo, uma piada corrente no meio era que o próximo disco se chamaria “The Monkee”
Para promover o álbum 'Changes”, foi produzido um vídeoclipe do single “Oh My My”, dirigido por Micky, além de uma aparição dos Monkees (Davy e Micky) no programa de TV “Upbeat”, em junho de 1970. Outra música do álbum “Acapulco Sun” foi lançada com relativo sucesso no México. Mas nada salvou o álbum “Changes” de ser um grande fracasso comercial.
Em 22 setembro de 1970, Davy e Micky, ainda contratados como The Monkees, fizeram os overdubs para as faixas “Do It In The Name Of Love” e “Lady Jane” que ficaram fora do álbum “Changes”. O single foi lançado em abril de 1971, pela gravadora Bell, que havia comprado o catalogo da Colgems, mas creditado a Micky Dolenz and Davy Jones, nos Estados Unidos. No resto do mundo o disco foi lançado como sendo dos Monkees.
A série de TV “The Monkees” passou a ser reprisada, a partir de setembro de 1969, ao meio dia de sábado pela CBS TV. O seriado voltou a alcançar uma boa audiência, com uma média de oito milhões de tele espectadores. Na tentativa de usufruir do êxito dessas reprises, Davy, Micky e Peter tocaram juntos em novembro de 1970, no evento “Freak, Foxy, Funky Revival”, em Van Nuys, na Califórnia. Esta apresentação marcou o fim da primeira era dos Monkees. Davy deixou o grupo. Micky nunca se desligou, oficialmente, mas com o fim de fato dos Monkees, ele debutou no teatro com a peça “Remains To Be Seen”, onde (ironicamente) interpretou um baterista de jazz.
Durante os anos que se seguiram, a série “The Monkees” também passou a ser reprisada no resto do mundo e motivou o lançamento das coletâneas “A Barrel Full of Monkees” (1971), “Refocus” (1972), “Monkees Greatest Hits” (1976), “More Monkees Greatest Hits” (1982), “Monkee Business” (1983, um picture disc), “Monkee Flips” (1984) e “Hit Factory” (1985). O catálogo dos Monkees durante meados dos anos 70 foi negociado para gravadora Arista, onde permaneceu até os anos 80, sendo depois adquirido pela Rhino.
Anos Solo
Don Kirshner após ser demitido, moveu uma ação no valor de 35 milhões de dólares contra a Screen Gems por quebra de contrato. Mas sua vida profissional pós-Monkees prosseguiu com êxito. Em 1969, Don Kirshner foi mentor musical da série em desenho-animado “The Archies”, cujo disco “Sugar Sugar” (a mesma canção oferecida, por ele, aos Monkees em janeiro de 1967) vendeu mais de cinco milhões de cópias. Don Kirshner revelou o grupo Kansas em 1974 e ficou sete anos no ar (1973/1981) com o programa da ABC TV “Don Kirshner´s Rock Concert”.
Os compositores Tommy Boyce (1939-1994) e Bobby Hart foram responsáveis por vários sucessos dos Monkees, além de Fats Domino, Chubby Checker, Jay and The Americans, Paul Revere and The Riders, Trini Lopez entre outros. Os prolíferos compositores também emplacaram como cantores, em 1968. com o hit “I Wonder What She´s Doing Tonight” A canção “Over You” de Bobby Hart, foi indicada ao Oscar, em 1983. Tommy Boyce e Bobby Hart escreveram mais de 300 canções, que venderam cerca de 50 milhões de discos.
A projeção obtida com os Monkees fez com que outros de seus músicos e compositores obtivessem grande repercussão a partir dos anos 70, interpretando seu próprio material. Foi o caso de Glen Campbell, Neil Young, Carole King, Neil Diamond, Harry Nilsson, o grupo Bread, Billy Preston e Ry Cooder.
Os produtores Bob Rafelson e Bert Schneider foram pioneiros de um movimento que se tornou “o novo cinema americano” a partir do final dos anos 60. Eles enriqueceram com os Monkees e investiram em suas carreiras como cineastas. Bob Rafelson foi indicado ao Oscar com seu longa-metragem “Five Easy Pieces” (“Cada Um Vive Como Quer”), em 1970 e Bert Schneider ganhou a estatueta, em 1975, com o documentário “Hearts and Minds” (“Corações e Mentes”). Porém menos bem sucedida foi a relação deles com os Monkees, a partir do fim do grupo em 1970. Os ex-componentes da banda sempre criticaram os fundadores da Raybert de lhes pagarem uma participação muito pequena nos rendimentos da marca “The Monkees”.
Após a separação, os ex-Monkees se envolveram em ações judiciais contra a Screen Gems, por royalties não pagos e ataques mútuos através da imprensa. Todos os quatro tiveram problemas pessoais como divórcios e, em diferentes níveis, abuso de álcool e drogas.
Davy lançou, em 1971, o álbum “Davy Jones” de onde o singles “Rainy Jane” e “I Realy Love You” tiveram alguma repercussão. Davy fez apresentações ao vivo pelos Estados Unidos, Grã Bretanha e Japão. Ele também atuou nos longas-metragens “Lollipops and Roses” (1971), “Star Spangled Girl” (1972 “Uma Garota de Raça”) e no seriado “Love American Style” (1973 - “Jogo Perigoso d Amor”). Em 1979, ele formou a banda Toast e saiu em turnê pelos Estados Unidos. Nos anos 80, Davy voltou para Inglaterra onde retornou as corridas de cavalo e as peças musicais como em “Godspell”, mas nada que lembrasse os anos dourados da Monkeemania.
Micky, um dos principais vocalistas dos Monkees que embalou vários dos principais hits dos anos 60, lançou apenas uma série de singles, durante a década de 70. Em 1971, ele debutou com “Easy on You”, composto e arranjado por Peter. Seu último compacto “Lovelight”, em 1979, Micky embarcou na onda da disco music Mas nada aconteceu. Nas artes cênicas, Micky estrelou apenas em filmes B como “Linda Lovelace For President” (1975). Micky também dublou o desenho animado “The Funky Phanton” (1971 “O Fantasminha Camarada”). Durante a década de 70, Micky era mais noticia em virtude de seu lado festeiro ao lado de John Lennon, Alice Cooper, Harry Nilson entre outros. Em 1980, Micky iniciou uma bem sucedida carreira como produtor e diretor de TV com o seriado de TV “Metal Mickey”.
Peter tocou em várias outras bandas e participou como músico de estúdio para discos de outros artistas. Após uma viagem de turismo pelo México, em janeiro de 1972, Peter foi preso na alfândega dos Estados Unidos com uma pequena quantidade de haxixe que o levou a 30 dias de prisão em uma penitenciaria federal. Dizem que Peter formou uma banda de rock´n´roll na prisão. Ao ser libertado Peter ainda gravou alguns demos em pequenas gravadoras sem sucesso. Em 1975 Peter passou a trabalhar como professor de música, sociologia, inglês francês e técnico de baseball. Ao voltar a musica, em 1976, sua apresentação no berço punk CBGB´S, em Nova York, mereceu uma menção no jornal Variety. Em 1980, Peter entrou nos estúdios Blue Horizon, em Manhattan, para gravar um álbum pela Sire Records. Participaram das gravações Joan Jett, Chrissie Hynde e Tommy Ramone, mas curiosamente o único fruto destas sessões foi o compacto “Higher and Higher”, lançado em 1981. Peter fez algumas aparições, como convidado na série de TV “Uncle Floyd” (1980/1982). No final de 1985, Peter e Davy assinaram um contrato para uma turnê pela Austrália.chamada “Hey Hey, It´s The Sound of The Monkees”
Michael se tornou um nome respeitado na música country. Ele formou a First National Band, em 1970, e foi o único ex-Monkee a ter um sucesso substancial com o single “Joanne”, alem de sua canção “I Never Loved Anymore” (1974) recebeu o prêmio BMI, pelas muitas interpretações que recebeu de outro artistas. Entretanto seus álbuns “Magnetic Salute” (1970), “Nevada Fighter” (1971) e “And The Hits Just Keep On Comin´” (1972) obtiveram o reconhecimento da crítica especializada, mas venderam muito pouco. Michael e sua banda excursionaram pelos Estados Unidos, Inglaterra e Austrália, mas sempre se apresentando em pequenos teatros com pouca divulgação e para platéias reduzidas. Uma das poucas matérias sobre os ex-Monkees na conceituada revista Rolling Stone não foi sobre musica e sim sobre uma detenção de Michael em uma delegacia no Colorado por porte ilegal de maconha, em dezembro de 1971. Mesmo distante do sucesso de seus tempos de Monkee, Michael parecia querer distancia de seu passado. Em 1973, ele fundou a Countryside, sua própria gravadora, que fechou suas portas logo depois. Mais bem sucedida foi sua produtora Pacific Arts que foi pioneira no mercado de vídeos. Sua mãe Bette, que vendeu em 1979, sua formula da Liquid Paper para Gillette por 47 milhões de dólares, faleceu um ano depois e deixou para seu filho uma fortuna de 25 milhões de dólares. Em 1981, Michael foi o primeiro artista a receber um Grammy na categoria “Melhor Vídeo” pelo seu musical “Elephant Parts” A carreira como videomaker, levou Michael a produzir o vídeo clipe “All Night Long” de Lionel Richie (1983) e o cult movie “Repo Man” (1984)
Apesar de suas carreiras solo, os ex-Monkees vez por outra eram chamados a lembrar de seu passado glorioso. Em 1975, eles recusaram uma proposta para uma volta do grupo em um comercial da rede de fast food McDonald´s. Um quase revival foi em 1976, com a união dos principais vocalistas dos Monkees, Micky e Davy com a dupla Tommy Boyce e Bobby Hart, os principais compositores do grupo, que gerou o álbum, um especial para TV e a turnê: “Dolenz, Jones, Boyce & Hart”
No natal de 1976 foi lançado o single “Christmas Is My Time of Year”, produzido por Chip Douglas e creditado a We Three Monkees...Davy Jones, Micky Dolenz and Peter Tork. Em 1977, Davy e Micky uniram forças e atuaram com uma dupla nos musicais “The Point” (de autoria de Harry Nilsson) e “Tom Sawyer”, além de uma turnê onde cantavam canções dos Monkees.
Uma Volta Espetacular
O ano de 1980 quase marcou a volta dos Monkees. No Japão, a Kodak lançou um comercial de TV, com a música “Daydream Believer” de fundo musical. A propaganda gerou uma onda nostálgica sobre os Monkees, que levou Davy, Micky e Peter (separadamente) a se apresentarem na “terra do sol nascente” e a volta dos discos dos Monkees às paradas de sucesso japonesas. Na Inglaterra os Monkees voltaram as paradas de sucesso depois de onze anos com o um single com quatro de seus antigos hits. Na Austrália foi lançado o álbum duplo “Monkeemania 40 Timeless Hits” que trouxe gravações inéditas como “Steam Engine”, “Love To Love”, “Circle Sky” (ao vivo) e a única gravação deles em italiano “Tema Dei Monkees”. Entretanto nos Estados Unidos, os ex-integrantes do grupo, mais uma vez, não chegaram a um acordo, e recusaram um convite para tocarem ao vivo na cerimônia do Emmy Awards. O ano acabou e os Monkees voltaram a ser coisa do passado.
Até que, em fevereiro de 1986, a MTV reprisou todos os episódios da série “The Monkees” numa maratona de 24 horas intitulada “Pleasant Valley Sunday”. A volta da série despertou o interesse de uma nova geração para o grupo. O empresário David Fishop percebeu a oportunidade e se empenhou em juntar os músicos de novo. Com a recusa de Michael, que alegou estar ocupado com a produção do filme “Square Dance” (“Ciranda de Ilusões”) com Winona Ryder, David Fishop conseguiu reunir Davy, Peter e Micky para a turnê “Happy Together” juntos a outros grupos dos anos 60 como Herman´s Hermits (sem Peter Noone), Turtles e Grass Roots. Os Monkees foram as grandes estrelas desta turnê e a demanda por mais shows com o grupo cresceu rapidamente.
A gravadora Arista, também observando a volta do sucesso dos Monkees, decidiu lançar um álbum coletando antigos sucessos e mais três canções novas (“Kicks”, “Anytime, Anylace, Anywhere” e “That was Then This Is Now”). Como nunca foi uma tarefa fácil chegar a um consenso com o grupo, Davy concordou em prosseguir com a turnê, mas se recusou a participar das novas gravações por achar que os royalties não eram bons o suficiente. Micky e Peter aceitaram em gravar as novas músicas e uma delas “That Was Then, This Is Now” foi lançada em single e se tornou o grande primeiro hit do grupo em dezoito anos. O álbum coletânea “Then and Now...The Best of The Monkees” vendeu um milhão de discos nos Estados Unidos. A turnê dos Monkees passou a se chamar “The 20th Anniversary Tour” e realizou 140 concertos se tornando a mais lucrativa da América do Norte, em 1986 (registrada no álbum “20th Anniversary Tour”).
A nova Monkeemania trouxe de volta seus oito álbuns originais de volta às paradas. Assim como “Daydream Believer” que foi remixada e lançada em single. O sucesso de vendas proporcionou lançamento do primeiro álbum da trilogia “Missing Links”(com raridades como “Apple, Peaches, Bananas and Pears”, “All Of Your Toys”, “Riu Chiu” e “Tear The Top Right Of My Head”); o álbum duplo “Live 1967”, com os concertos dos Monkees na turnê americana no verão de 1967, além dos lançamentos em VHS (posteriormente em DVD) de alguns episódios da série de TV , do filme “Head” e do especial para TV “331/3 Per Monkee”. Davy, Peter e Micky se tornaram darlings da mídia americana, e passaram a participar de vários programas de TV. Na época se cogitou um segundo longa-metragem com os Monkees.
Em 1987, os Monkees (Davy, Peter e Micky) lançaram o tão esperado álbum de inéditas, “Pool It!”. Para a produção do disco, Davy queria que ficasse por conta de Quincy Jones, mas terminou sendo assumida por Roger Bechirian, produtor de Elvis Costelo. O single “Heart and Soul” ainda teve algum impacto nas paradas de sucesso, mas o álbum frustrou os críticos. Também foi lançado o single “Every Step of The Way” e o VHS “Heart and Soul-The Official Monkee Videography” com entrevistas, vários videoclipes e raridades. Na época houve rumores de que a falta do grupo ao prestigiado programa da MTV “Super Bowl Tail Gate Party”, fez com que os Monkees fossem banidos da programação da emissora, o que teria prejudicado a promoção do álbum “Poll It!”. Porém o canal juvenil Nickelodeon incluiu os Monkees em sua programação e chegou a produzir um videoclipe para “Don´t Bring Me Down”, outra canção do álbum.
Os Monkees permaneceram até 1989 em turnês pela América do Norte, Europa, Japão e Austrália. Michael somente se juntou ao grupo em um par de concertos e em uma cerimônia em que os Monkees ganharam uma estrela na “Calçada da Fama” em Hollywood.
Justus
Diversos problemas como os constantes desentendimentos entre os próprios integrantes dos Monkees, o relacionamento tortuoso deles com Bert Schneider, proprietário da marca “The Monkees”, além da rejeição para que os Monkees fizessem parte do “Rock´n´Roll Hall of Fame” colocaram abaixo as ofertas para uma turnê comemorativa dos 25 anos do grupo em 1991 e de uma excursão pela Inglaterra em 1993.
Em 1995, Bert Schneider vendeu para Rhino a marca “The Monkees”, melhorando as relações do grupo com seu próprio nome. Um dos primeiros atos da nova administração foi a negociação de um contrato de publicidade com a Pizza Hut para um comercial de TV com Davy, Peter, Micky e Ringo Starr. Com a volta dos Monkees após um hiato de seis anos, eles tiveram uma participação especial na série transmitida pela ABC-TV “Boys Meets World” e do longa-metragem “The Brady Bunch Movie” Em 1996, eles rodaram os Estados Unidos e Canadá em uma turnê comemorativa dos 30 anos da banda.
Surpreendendo a todos, Davy, Peter, Micky e... Michael alugaram um estúdio em Los Angeles e sem compromisso, fizeram uma jam session. A partir daí ocorreu a idéia de um novo álbum com os quatro Monkees originais pela primeira vez em 28 anos. As sessões aconteceram entre junho e agosto de 1996, no NRG Studios, em Hollywood. Em outubro de 1996, foi lançado o álbum “Justus” (com destaque para “Regional Girl”). O disco, que vai do heavy metal (“Admiral Mike”) ao jazz (“I Believe You”), foi todo composto, arranjado, tocado e produzido pelos Monkees. Para promover o lançamento Davy, Peter, Michael e Micky, tocaram juntos no Billboard Live, em Los Angeles e lançaram o vídeo “Making of Justus”, uma seleção de videoclipes e bastidores do álbum.
Em 1997, eles fizeram uma turnê vitoriosa pela Grã Bretanha, um especial para ABC-TV (“Hey, Hey It´s The Monkees”, dirigido por Michael) e participaram do documentário “Hey, Hey We´re The Monkees”. Após a turnê britânica (onde passaram pela Escócia, Inglaterra, Irlanda e Pais de Gales) Michael, sem dar explicação a ninguém deixou o grupo. Quando iniciaram os ensaios para a turnê americana e Michael nunca aparecia, uma nota oficial foi divulgada informando que ele estava em casa escrevendo um roteiro para o tão esperado segundo longa-metragem com os Monkees, cujo um dos atores seria Jeff Goldblum. No entanto o filme nunca foi realizado e os outros três então passaram os últimos seis meses de 1997, em turnê pelos Estados Unidos, onde chegaram a ser convidados para tocar em um concerto do U2. Após a excursão, todos voltaram a se dedicar a suas carreiras solo.
Davy, Peter e Micky receberam uma proposta milionária para turnê “Monkees 2001” (editada no DVD “Live Summer Tour”). Na ocasião os três Monkees chegaram a regravar três de seus antigos hits com o produtor Lou Pearlman do N´Sync, mas tais gravações permanecem inéditas. Na ocasião Peter, Micky e Davy lançaram apenas o álbum ao vivo “Extended Versions” Após sete meses de concertos pelos Estados Unidos, o grupo, que nunca teve uma convivência harmoniosa, se desentendeu e Peter abandonou a turnê, antes de uma excursão dos Monkees pela Inglaterra. Mais uma vez a dupla Davy e Micky seguiu se apresentando até 2002, quando foi lançado o álbum “Monkeemania: Staring Micky Dolenz and Davy Jones Live In Toronto 2002”.
Detentora do catálogo Monkee, a gravadora Rhino lançou todos seus álbuns originais remasterizados em CD e com bonus tracks, e várias coletâneas com destaque para: “Listen To The Band”(1991), “The Monkees Greatest Hits”(1995), “The Monkees Anthology”(1998), “Headquarters Sessions”(2000), “Music Box”(2001), “Summer 1967 - The Complete U.S. Concert Recordings” (2002), “The Best of The Monkees”(2003), “Works”(2007), “Forever The Monkees” (2008 com as inéditas “Ceiling My Room” e “You Can´t Tie A Mustang Down”) e duas caixas com toda a série “The Monkees” em DVD.
Entre os vários artistas que já regravaram sucessos dos Monkees, se destaca o álbum tributo “Here No Evil - A Tribute to The Monkees” com a participação de vários artistas indies como Peter Holsapple, Bob Rupe Band e os Diggers. A historia dos Monkees também passou a ser tema de vários documentários como o “E! True Hollywood Story: The Monkees” (1998) e “VH1 Behind The Music”(1999). Em junho de 2000 estreou o filme “Daydream Belivers: The Monkees Story” que romanceou a história do grupo. O site Ebay usa a canção “Daydream Beliver”em sua campanha promocional. A rede de TV britânica Channel 4, exibiu em 2007, o elogiado documentário “Making The Monkees” , com entrevistas de Davy, Peter, Micky e Bob Rafelson.
O Fim?
Desde o final dos anos 80, com exceção de Peter, todos lançaram suas autobiografias, contando suas histórias naquela que foi uma das bandas mais populares de todos os tempos. Outras publicações importantes são “The Monkees Tale” de Eric Lefcowitz, “Monkee-Mania - The True Story of the Monkees” de Glenn A. Baker e “The Monkees - The day-by-day of the 60´s pop sensation” de Andrew Sandoval.
Afirmar sobre o fim definitivo dos Monkees tem sido . Em 1970, ao fim da primeira fase do grupo, todos pareciam distancia dos anos Monkee. Michael chegou a afirmar, em 1973 a revista Zig Zag “
Atualmente os quatro ex-Monkees se mantêm em atividade, mas não demonstram interesse em voltar a tocar juntos. Davy, o ex-ídolo das adolescentes nos anos 60, hoje avô, se divide entre suas propriedades na Flórida, Pensilvânia, Califórnia e Inglaterra. De todos os ex-Monkees, Davy continua a ser o mais popular do grupo, e parece gostar muito de usufruir desse status. Davy concede muitas entrevistas, aparece em convenções sobre os Monkees, atua, como convidado especial, em filmes como “Sexina: Popstar P.I” (2007), foi tema do doucmentario do bio. “Davy Jones Biography” (2008) e estah construindo um museu sobre os Monkees e um estúdio de gravação, em uma igreja que ele comprou em Beavertown, na Pensilvânia. Ele faz uma média de 100 shows por ano e em 2008 lançou o disco “It´s Christmas”. Davy também possui um haras, onde cuida de cavalos de raça. Ele afirmou em uma entrevista ao jornal Baltimore Sun, em março de 2008, não pretender mais tocar com seus ex-colegas de grupo. Junto com David Cassidy, Davy está na turnê “The Ultimate Idols”
Micky diversificou suas atuações. Escreveu livros para crianças como “Gakky Two-Feet” (em 1991, ele lançou um álbum com canções de ninar “Micky Dolenz Puts You To Sleep”), dublou do personagem Duas Caras no desenho animado “Batman: The Animated Series” (1992), atuou desde o seriado de TV “Pacific Blue”(1996), uma montagem da ópera “Aida” (2003) na Broadway ate o longa-metragem “Halloween” (2007), e apresentou o programa “Micky Dolenz in The Morning” (2005) na rádio WCBS de Nova York. Sem muita regularidade Micky fez alguns shows acompanhado de sua irmã, a cantora Coco Dolenz. Em. 2009, Micky junto a Danny Bonaduce (ex-Partridge Family), Merrill Osmond, The Cowsills e Bay City Rollers estah na turnê “The Original Idols”. Sua filha Ami Bluebell Dolenz é atriz.
Peter é o ex-Monkee mais ativo musicalmente. Ele já lançou sete álbuns (o ultimo foi “Cambria Hotel”, em 2007) e possui a banda de rythym´n´blues chamada Shoe Suede Blues, que há dez anos excursiona continuamente pelos Estados Unidos e Europa. Peter, apesar de ter sua carreira solo mais focada para a musica, após anos longe do cinema, voltou a atuar no longa-metragem “Cathedral Pines” (2006). Ele possui uma coluna de auto-ajuda “Ask For Peter Tork” no site “thedailypanic.com” Em marco de 2009, Peter removeu um raro tipo de câncer de sua garganta. Segundo os médicos Peter está em franca recuperação em sua residência em Connecticut.
Michael é membro da AFI (American Film Institute) e proprietário da Videoranch 3D, uma produtora de entretenimento. Michael também é romancista tendo publicado o livro “The Long Sandy Hair of Neftoon Zamora”, em 1998. Um ano depois Michael saiu vitorioso de uma ação de 47 milhões de dólares movida contra a rede pública de televisão PBS, relativo a comercialização indevida de vídeos da Pacific Arts. Apesar de raramente se apresentar ao vivo e ser o mais reservado dentre os ex-Monkees, Michael foi indicado ao Grammy, em 1995, na categoria New Age para seu álbum “The Garden” e lançou seu 16o disco “Rays”, em 2006. Michael, que foi um dos colaboradores da campanha para presidente de John Kerry contra George Bush, em 2004, é pai de do músico Jason Nesmith, ex-Nancy Boy. Considerado um dos melhores compositores de sua geração Michael ganhou um álbum tributo com bandas de garagem intitulado “Papa Nez: A Loose Salute To The Work Of Michael Nesmith” Michael mantem uma casa na cidade de Carmel, na Califórnia e passa temporadas em seu rancho no Novo México.
Em 2006, as expectativas sobre uma turnê comemorativa dos 40 anos dos Monkees, grupo que já vendeu mais de 70 milhões de discos, teve um deleite para os fãs em 29 de abril: uma surpreendente apresentação de Micky e Peter (juntos), em comemoração a “Monkee Way”, uma via batizada com o nome do conjunto, pela prefeitura de Wildwood em Nova Jersey. Com todo sucesso e reconhecimento artístico, gerou polemica, quando em 2007, os Monkees terem sido vetados mais uma vez, para integrar Rock´n´Roll Hall of Fame. Hoje há uma campanha mundial reivindicando a indução imediata dos Monkees no Hall of Fame.
Quatro artistas que talvez involuntariamente compuseram umas das mais poderosas unidades criativas do entretenimento tendo atuado com dedicação e muitas vezes de forma revolucionaria na musica, televisão, teatro, cinema, literatura. Davy, Micky, Peter e Michael são verdadeiros sobreviventes da cultura pop oriunda dos anos 60, tendo vivido o apogeu da gloria, enfrentado as conseqüências do ostracismo e conseguindo dar a volta por cima e se tornarem hoje estrelas cult.
Criados para serem os Beatles americanos, ou um descartável grupo de TV, os Monkees se superaram e segundo Timothy Leary, intelectual e guru dos anos 60, em seu livro “The Politics of Ecstasy”: “Os Monkees aproveitaram a nova era da mídia para cantar novas canções e passar uma nova mensagem”.
Monkees no Brasil
Os Monkees possuem muitos fãs brasileiros desde os anos 60, quando a série de TV era transmitida aqui, puxando muitos sucessos radiofônicos. Já em 1969, foi fundada em São Paulo a Associação Nacional das Fãs do Conjunto The Monkees, que permanece em atividade até hoje.
Nos anos 90, Lulu Santos gravou uma versão para “I´m a Beliver” como “Não Acredito”. Os guitarristas Edgar Scandurra do Ira! e Paulo Miklos, dos Titãs, se uniram ao baterista Kuky Stolarsky e RH Jackson no baixo para o show “The Monkees”. No espetáculo o grupo tocou sucessos do grupo e fizeram uma versão, em português, do “(Theme From) The Monkees”
Especula-se que Michael esteve no Brasil em 1976, daí sua gravação, no ano seguinte, do single “Rio” e sua composição “Carioca”, constante em seu álbum “Infinite Rider on The Big Dogma”, de 1979.
Peter esteve no Brasil, em fevereiro de 2003, para uma semana de férias, mas foi reconhecido pelos fãs e acabou se apresentando em duas casas noturnas paulistas e concedendo entrevista para rádio.
Talvez as primeiras conexões Monkees/Brasil, tenha se dado entre 1967 e 1968. Em outubro de 1967, Davy e Charles Smalls compuseram juntos a canção “The Girl I Left Behind”. No final do episódio “Some Like It Lukewarm”, os dois aparecem conversando sobre ritmos e Charles Smalls fala sobre um ritmo de percussão brasileiro que eles usam na canção.
Em 31 de maio de 1968, num estúdio da RCA, na cidade americana de Nashville. Michael gravou “How Insensitive”, uma versão em inglês de “Insensatez”, de Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes. Provavelmente a música constaria nos próximos álbuns dos Monkees. Porém a canção ficou arquivada por 28 anos, só aparecendo no álbum “Missing Links -Volume Three”, em 1996.
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